Ong ABC
Geneve - Switzerland
E-mail
info@abcngo.org

Estudo no exterior em alta

Estudo no exterior em alta

http://www.belta.org.br/noticias/50/estudo+no+exterior+em+alta

Acumular novos conhecimentos, aprender a lidar com situações imprevistas, conhecer outras culturas, desenvolver uma habilidade maior em lidar com a língua estrangeira. Estes são apenas alguns dos impactos diretos que o estudo no exterior é capaz de trazer para estudantes de diferentes segmentos do ensino.

A percepção destas vantagens tem feito o mercado de intercâmbio estudantil crescer. Mesmo com a alta do dólar nos últimos anos e a crise econômica na Europa e nos Estados Unidos, principais destinos para quem procura por cursos no exterior, o número de pessoas que viajou para estudar fora do país cresceu.

Em 2010, um total de 168 mil brasileiros fizeram algum tipo de intercâmbio, segundo a Associação Brasileira de Organizadores de Viagens Educacionais e Culturais, a Belta. Em 2012, em novo levantamento feito pela instituição, esse total já alcançava 175 mil pessoas, cerca de 5% de crescimento.

O dado resulta de um estudo feito entre as 81 agências de intercâmbio associadas à Belta em todo o país. Segundo o presidente da associação, Carlos Robles, é expressiva a marca de 175 mil intercambistas, em 2012, pois o indicador demonstra que os brasileiros estão tendo acesso a algum tipo de educação internacional, alguns com convivência familiar, com trocas culturais e outras vantagens que esse segmento pode trazer. “E isso é muito importante para a formação de jovens brasileiros no acesso ao mercado de trabalho, estudos universitários e desenvolvimento pessoal”, destaca o presidente da Belta.

A manutenção do crescimento pela procura em período não tão favorável gera um cenário otimista para os próximos anos. Para Carlos Robles, a tendência, no curto e no longo prazo, continua a ser de alta. A velocidade dessa expansão, afirma o especialista, é que pode variar de acordo com alguns fatores.
Para ele, a curva de evolução pode ser mais ou menos acelerada, dependendo de como estiver a estabilidade da moeda e o crescimento econômico do Brasil, por exemplo.

“Também existem fatores externos como as medidas de concessão de vistos, que são diferentes de país para país, possibilidade de acesso temporário a uma atividade remunerada juntamente com estudos. Porem, essa curva tem sido ascendente nos últimos anos.”

Há outros aspectos que favorecem a expansão na procura por intercâmbios. Com a Europa e os Estados Unidos em crise, algumas economias emergentes ganharam força. O Brasil, por exemplo, faz parte de um grupo definido por especialistas como o BRIC, formado pelas iniciais das nações que mais têm se destacado do ponto de vista econômico no planeta (além do Brasil, integram o grupo Rússia, Índia e China).

“O Brasil do BRIC atrai cada vez mais empresas estrangeiras de grande porte que buscam profissionais que tenham competências globais. E uma experiência de aprendizado no exterior pode fazer a diferença”, destacou Eliane Porto, gerente geral, no Rio de Janeiro, da agência de intercâmbio CI.

Segundo a especialista, a estabilidade econômica também tem incentivado os jovens brasileiros a investirem em estratégias para construção de uma carreira no longo prazo. Além disso, as famílias passam cada vez mais a entender que precisam fazer de seus filhos cidadãos do mundo. “E um intercâmbio é a oportunidade perfeita para um estudante mergulhar na cultura de um outro país, fazer amigos de várias nacionalidades e se tornar um jovem pró-ativo e seguro de si”, comenta Eliane Porto.

Procura também aumenta entre estudantes da Classe C
Dados da Belta mostram também o crescimento da procura por intercâmbio entre estudantes de famílias da classe média. Este talvez seja um dos segmentos em que a busca tende a ser mais ampliada, não só em razão do crescimento da renda nesta parcela da população. Este também é o contingente que mais ganhou espaço nos últimos anos, no ensino superior, em razão de iniciativas como o Programa Universidade para Todos (ProUni) e o Programa de Financiamento Estudantil, o Fies, que facilitaram a entrada de jovens de famílias com baixo poder aquisitivo nas universidades privadas.

Das agências de intercâmbio associadas à Belta, 76% informaram que ter havido crescimento na procura pela classe C, em 2010. No ano passado, esse índice foi de 78,70% das afiliadas. Ana Paula Castro, gerente Regional do estado do Rio da EF Cursos no Exterior, também ressalta a evolução da procura neste segmento. Segundo ela, as causas estão relacionadas não só ao fato do consumo, nesta faixa de renda, ter crescido proporcionalmente em vários setores, mas também a uma mudança de perspectiva das famílias e à criação de formas mais facilitadas para o pagamento das viagens.

“Com esta classe mais aquecida, as pessoas conseguiram mudar a visão de futuro, frequentam mais as universidades e percebem que podem competir melhor no mercado de trabalho. Com o ensino superior mais acessível, o intercâmbio virou o próximo passo”, salienta a especialista.

Outra novidade é que os brasileiros, além de irem estudar no exterior em maior quantidade, permanecem mais tempo no país estrangeiro. Segundo dados da Belta, em comparação com o ano de 2011, a faixa etária do público que busca por intercâmbio estudantil não mudou: a maioria dos estudantes ainda tem entre 18 e 30 anos. Já o tempo médio de permanência no exterior passou de um a três meses para até seis meses.

Para Carlos Robles, isso indica que os brasileiros perceberam que quanto mais tempo estiveram expostos a uma nova cultura e ao aprendizado, mais estarão preparados para competir no mercado de trabalho quando regressarem ao Brasil. “Hoje em dia, quanto maior formação o estudante tiver, mais chances terá de se desenvolver e acessar carreiras bem remuneradas em nosso país. Considera-se esse tempo maior como um dos melhores investimentos pessoais”, ressaltou o presidente da Belta.

Cautela e planejamento são necessários antes de viajar
Com a procura crescente por intercâmbios estudantis, aumentou também a oferta deste tipo de viagem no mercado. Com isto, é fundamental existir maior cuidado por parte de estudantes e famílias no momento da escolha do destino e do programa de estudos a seguir.

A primeira preocupação necessária, segundo Ana Paula Castro, é em relação à empresa pela qual o estudante irá viajar. Uma das principais dicas, afirma a especialista, é checar se a instituição é filiada à Belta. “Também é importante verificar a tradição da empresa, há quanto tempo foi fundada, sua origem. Outro ponto fundamental é perguntar qual será o suporte durante o período que o aluno estiver lá e de que forma será feito”, salienta Ana Paula Castro, ressaltando que é relevante, ainda, procurar saber se as escolas têm reconhecimento pelos órgãos competentes do país e qual a validade do certificado fornecido após a conclusão do curso. “Aqui na EF, o estudante volta com certificado com selo da universidade de Cambridge e só trabalhamos com escolas próprias.”

Outro cuidado importante, segundo a office manager da EF Cursos no Exterior, é com o planejamento da viagem de estudos. Neste ponto, há algumas informações objetivas às quais alunos e famílias precisam ter atenção. “É importante procurar saber o número de horas-aula, localização da escola, acomodação, qual o público que frequenta as aulas, segurança do local, se precisa de visto, vacinas, informações sobre voo e custo de vida local”, destaca Ana Paula Castro.

Todos estes cuidados valem a pena. Afinal, já é consenso de que o estudo no exterior valoriza, e muito, a formação educacional de um estudante. Entre as razões desta valorização, estão o fato de o aluno poder voltar, dependendo do programa que faça, com certificações como as de Cambridge e Toefl, que valem como nivelamento do idioma numa escala internacional, e o desenvolvimento de habilidades importantes no mundo corporativo. “O jovem adquire conhecimento da cultura do outro país, o que ajudará em futuras negociações com empresas internacionais em seus futuros empregos”, ressalta Ana Paula Castro.

Para Eliane Porto, o interesse, da parte do estudante, por culturas e realidades diferentes da sua, é visto de forma cada vez mais positiva pelos empregadores. “O profissional que já viveu fora do pais, estudando ou trabalhando, tende a se adaptar mais facilmente a novas situações e a mudanças inesperadas”, ressalta a gerente geral, no Rio de Janeiro, da agência de intercâmbio CI.